Relatório gerencial: o que entra e o que deve sair

Um relatório gerencial só vale se for lido, e ele é lido quando cabe em uma página, compara com períodos anteriores e vem com comentário apontando o que mudou. A diferença entre o relatório usado e o arquivado não está na quantidade de informação: está em responder às perguntas que o empresário realmente faz antes de decidir, e em ter uma ação definida para cada número fora da faixa.

  • Uma página com poucos números supera vinte páginas com tudo.
  • Todo número precisa de comparação com dois períodos.
  • Comentário analítico é o que transforma dado em decisão.
  • Indicador que não dispara ação deve ser removido.
  • Revisar a composição a cada semestre mantém o relatório útil.

O que entra

Receita do período, aberta por linha de produto ou serviço quando a empresa tem mais de uma frente. Custo variável total e margem de contribuição em valor e percentual, que é o número mais importante do relatório.

Custo fixo, resultado do período e ponto de equilíbrio, que dizem se a estrutura está sendo paga e quanto falta ou sobra. Posição de caixa atual e projetada para as próximas semanas.

E os indicadores operacionais relevantes para aquele negócio: inadimplência no comércio, horas vendidas contra disponíveis em serviços, giro de estoque no varejo. Poucos, escolhidos pelo que muda decisão.

O que sai

Indicador que ninguém usa para decidir deve ser removido. Todo relatório acumula linhas incluídas por parecerem interessantes e que nunca geraram uma única ação. Elas competem por atenção com o que importa e tornam a leitura mais pesada.

Comparação é obrigatória

Número isolado não informa. A margem de contribuição de um mês não diz nada sozinha; comparada ao mês anterior e ao mesmo mês do ano passado, diz se a empresa está melhorando, piorando ou seguindo o ciclo normal.

Quando existe orçamento, entra uma terceira coluna: o realizado contra o planejado. Ela responde não só o que aconteceu, mas se estava previsto acontecer, o que é uma pergunta diferente.

Sem comparação, o relatório vira uma fotografia sem contexto, e fotografias sem contexto não mudam decisão nenhuma.

Blocos do relatório gerencial, o que cada um mostra e por que faz parte dele
BlocoO que mostraPor que está no relatório
Receita por linhaDe onde vem o faturamentoBase de todo o resto
Margem de contribuiçãoO que sobra para o fixoDecide preço e mix
Custo fixo e resultadoSe a estrutura se pagaDecide estrutura
Ponto de equilíbrioQuanto vender para não ter prejuízoVira meta
Caixa projetadoSe haverá dinheiro nas próximas semanasAntecipa aperto
Indicador operacionalO específico do negócioAponta a causa

O comentário faz a diferença

Três ou quatro linhas explicando o que mudou e por quê valem mais que dez páginas de tabelas. A margem caiu dois pontos porque o mix mudou. O caixa aperta nas próximas três semanas porque dois recebimentos atrasaram.

É o comentário que transforma o relatório em conversa. Sem ele, o empresário olha os números, não identifica o que exige atenção e deixa para depois.

O comentário também deve apontar o que fazer, ou pelo menos o que investigar. Relatório que descreve sem sugerir devolve o trabalho inteiro para quem já está sobrecarregado.

Frequência e leitura

Mensal para o conjunto, logo após o fechamento contábil, com data fixa. Semanal apenas para a posição de caixa, que muda rápido e é o único item que não espera o mês fechar.

Data fixa é mais importante do que parece. Relatório que sai quando dá é o primeiro a ser adiado quando a operação aperta, e o adiamento vira abandono em poucos meses.

Junto com a data de entrega precisa existir uma data de leitura, com o empresário e quem apurou sentados. Relatório enviado e nunca discutido tem vida curta.

Quem participa

Em empresa pequena, o dono e quem apurou bastam. Quando há equipe, vale incluir quem responde pelas frentes analisadas, porque a explicação de uma variação quase sempre está com quem opera e não com quem calcula.

Manter útil ao longo do tempo

Três medidas resolvem. Manter em uma página, porque volume é o principal inimigo da leitura. Definir previamente qual ação é disparada quando cada indicador sai da faixa esperada.

E revisar a composição a cada semestre, tirando o que não gerou ação e acrescentando o que a operação passou a exigir. Relatório é ferramenta viva, e a empresa de hoje não é a de um ano atrás.

Com isso, o relatório deixa de ser entrega de obrigação e vira o momento em que a empresa olha para si mesma com número na frente. É esse formato que a VGR entrega em controladoria. Um escritório de contabilidade em Campo Grande pode apresentar esse relatório em reunião mensal com o dono.

Perguntas frequentes

O que deve conter um relatório gerencial?

Receita por linha, custo variável, margem de contribuição em valor e percentual, custo fixo, resultado, ponto de equilíbrio, caixa projetado e poucos indicadores operacionais relevantes para aquele negócio.

Por que a comparação é obrigatória?

Porque número isolado não informa. A comparação com o mês anterior e com o mesmo mês do ano passado revela se a empresa melhora, piora ou apenas segue o ciclo normal do ano.

Qual o tamanho ideal?

Uma página. Volume é o principal inimigo da leitura, e relatório não lido não muda decisão. Melhor uma página olhada todo mês do que vinte páginas olhadas uma única vez.

O que o comentário deve trazer?

O que mudou, por quê e o que investigar ou fazer. Sem ele o empresário olha os números, não identifica o que exige atenção e adia. Relatório que descreve sem sugerir devolve o trabalho inteiro.

Com que frequência produzir?

Mensal para o conjunto, logo após o fechamento contábil e em data fixa. Semanal apenas para a posição de caixa, que muda rápido e não pode esperar o mês fechar.

O que remover do relatório?

Todo indicador que ninguém usa para decidir. Eles competem por atenção com o que importa e tornam a leitura mais pesada sem acrescentar informação útil.

Como manter o relatório útil ao longo do tempo?

Mantendo em uma página, definindo previamente a ação disparada por cada indicador fora da faixa, marcando data fixa de entrega e leitura e revisando a composição a cada semestre.

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Fontes oficiais

Conselho Federal de Contabilidade, Sebrae

Material informativo, não substitui a análise do seu caso. Atualizado em . Revisão técnica de Vagner Aparecido Florentino.

Recebe relatório e não usa para nada?

A VGR entrega uma página com o que importa, comparada a dois períodos e comentada, em data fixa e com leitura marcada. A conversa inicial é sem compromisso.

Ver controladoria