Indicadores financeiros que a pequena empresa deve acompanhar
Indicador não serve para enfeitar relatório, serve para responder a uma pergunta específica de decisão. Oito deles cobrem a maior parte do que uma empresa pequena precisa saber, e todos podem ser apurados a partir da contabilidade que já existe. O erro mais comum não é escolher o indicador errado, é acompanhar vinte durante dois meses e abandonar. Cinco acompanhados com constância valem mais que vinte acompanhados uma vez.
- Margem de contribuição responde quanto cada venda deixa para pagar a estrutura.
- Ponto de equilíbrio responde quanto é preciso faturar para não ter prejuízo.
- Prazo médio de recebimento e de pagamento explicam a maior parte do aperto de caixa.
- Ticket médio e frequência revelam se o crescimento veio de mais clientes ou de mais valor.
- Endividamento e liquidez indicam a capacidade de atravessar um mês ruim.
Os indicadores de rentabilidade
A margem de contribuição, em valor e em percentual, é o primeiro. Ela diz quanto sobra de cada venda depois dos custos que variam com o volume, e é a base para decidir preço, desconto e mix de produtos.
A margem líquida vem em seguida, e mede quanto do faturamento vira resultado depois de tudo. É o indicador que responde à pergunta do dono sobre quanto a empresa realmente ganha, e costuma ser bem menor do que a intuição sugere.
O terceiro é o resultado por linha de produto ou por unidade. Empresa com mais de uma frente precisa saber qual delas sustenta as outras, e essa informação quase nunca existe antes de alguém apurar.
Cuidado com a média
A margem média da empresa esconde tanto quanto revela. É comum a média estar saudável enquanto metade do portfólio opera no vermelho e a outra metade compensa. Por isso o indicador precisa ser aberto por linha, e não apenas consolidado.
Indicadores de caixa e o quadro dos indicadores que a PME acompanha
O prazo médio de recebimento mede quantos dias o cliente leva para pagar. O prazo médio de pagamento mede quantos dias a empresa leva para pagar o fornecedor. O prazo médio de estocagem mede quantos dias a mercadoria fica parada.
A combinação dos três forma o ciclo financeiro, que é o intervalo que a empresa precisa bancar com dinheiro próprio. Esse é, com folga, o indicador que mais explica a sensação de vender bem e viver apertado.
Junto com eles vale acompanhar o saldo de caixa projetado para as próximas semanas, porque o histórico não evita problema e a projeção evita. O detalhamento está em capital de giro.
| Indicador | Responde a | Frequência |
|---|---|---|
| Margem de contribuição | Quanto sobra de cada venda | Mensal |
| Ponto de equilíbrio | Quanto vender para não ter prejuízo | Mensal |
| Margem líquida | Quanto do faturamento vira lucro | Mensal |
| Ciclo financeiro | Quantos dias bancar com caixa próprio | Mensal |
| Ticket médio | Quanto cada cliente gasta por compra | Mensal |
| Inadimplência | Quanto do vendido não é recebido | Mensal |
| Endividamento | Quanto do ativo é financiado por terceiros | Trimestral |
| Liquidez corrente | Capacidade de honrar o curto prazo | Trimestral |
Os indicadores comerciais
O ticket médio mostra quanto cada cliente gasta por compra, e acompanhado ao longo dos meses revela se o crescimento do faturamento veio de mais clientes ou de mais valor por cliente. São situações diferentes e pedem ações diferentes.
A frequência de compra complementa. Cliente que compra mais vezes vale mais que cliente que compra uma vez um valor grande, porque custa menos para trazer de volta do que para conquistar do zero.
A inadimplência fecha o trio. Em empresa que vende a prazo, ela é a diferença entre faturar e receber, e um percentual pequeno de inadimplência pode consumir toda a margem quando a margem é apertada.
Os indicadores de estrutura
O grau de endividamento mostra quanto do ativo da empresa é financiado por recursos de terceiros. Não existe número certo universal, mas a tendência importa: endividamento que cresce mês a mês sem crescimento equivalente de receita é sinal claro.
A liquidez corrente compara o que a empresa tem a receber e em estoque no curto prazo com o que tem a pagar no mesmo período. É a medida de fôlego para atravessar um mês ruim.
Esses dois podem ser apurados trimestralmente, porque mudam devagar. Acompanhá-los todo mês costuma gerar ruído sem informação nova.
Comparar com o próprio passado
Referência de mercado ajuda pouco em empresa pequena, porque as realidades variam demais. O que funciona é comparar a empresa com ela mesma: o mês contra o anterior e contra o mesmo mês do ano passado. A tendência diz mais que o valor absoluto.
Como fazer isso virar rotina
Escolha cinco indicadores para começar, não vinte. Defina uma data fixa no mês para apurar, logo após o fechamento contábil. Coloque tudo em uma página, com o valor do mês, do mês anterior e do mesmo mês do ano passado.
E, o mais importante, defina previamente o que se faz quando cada número sai fora do esperado. Indicador que não dispara ação é decoração. Margem caiu, o que se olha primeiro. Prazo de recebimento subiu, quem cobra.
Empresa de Campo Grande que mantém essa rotina por seis meses passa a antecipar problema em vez de reagir a ele, e essa é a diferença prática que a informação traz. É o que a VGR entrega mensalmente em controladoria. Um contador em Campo Grande pode montar esses indicadores a partir do balancete da própria empresa.
Perguntas frequentes
Quais indicadores uma pequena empresa deve acompanhar?
Margem de contribuição, ponto de equilíbrio, margem líquida, ciclo financeiro, ticket médio e inadimplência mensalmente, além de endividamento e liquidez corrente trimestralmente. Cinco acompanhados com constância valem mais que vinte acompanhados uma vez.
Qual indicador explica a falta de caixa?
O ciclo financeiro, formado pelo prazo médio de estocagem somado ao de recebimento e subtraído o de pagamento. Ele mede quantos dias de operação a empresa precisa bancar com recursos próprios e é o que mais explica vender bem e viver apertado.
Por que a margem média pode enganar?
Porque esconde a dispersão. É comum a média estar saudável enquanto parte do portfólio opera com margem negativa e a outra parte compensa. Por isso o indicador precisa ser aberto por linha de produto ou serviço, e não apenas consolidado.
Com que frequência apurar os indicadores?
Os de rentabilidade, caixa e comerciais mensalmente, logo após o fechamento contábil. Os de estrutura, como endividamento e liquidez, trimestralmente, porque mudam devagar e acompanhá-los todo mês gera ruído sem informação nova.
Devo comparar meus indicadores com os do mercado?
Referência de mercado ajuda pouco em empresa pequena, porque as realidades variam muito. O mais útil é comparar a empresa com ela mesma, o mês contra o anterior e contra o mesmo mês do ano passado, porque a tendência diz mais que o valor absoluto.
O que é ticket médio e para que serve?
É quanto cada cliente gasta por compra. Acompanhado ao longo dos meses, revela se o crescimento do faturamento veio de mais clientes ou de mais valor por cliente, situações que pedem ações comerciais diferentes.
Como evitar abandonar o acompanhamento?
Começando com poucos indicadores, definindo data fixa de apuração, mantendo tudo em uma página com comparativo e, principalmente, definindo previamente qual ação é disparada quando cada número sai fora do esperado. Indicador que não gera ação é decoração.
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Fontes oficiais
Sebrae, Conselho Federal de Contabilidade
Material informativo, não substitui a análise do seu caso. Atualizado em . Revisão técnica de Vagner Aparecido Florentino.