Quanto custa uma contabilidade e o que entra no preço

O honorário contábil é definido por volume de trabalho, não por tamanho de empresa. Os fatores que mais pesam são o regime tributário, a quantidade de notas emitidas e recebidas, o tamanho da folha, o número de obrigações acessórias e a profundidade da análise contratada. Duas empresas com o mesmo faturamento podem ter honorários bem diferentes se uma delas tem cem notas por mês e a outra tem cinco. Este guia explica o que forma o preço, o que costuma ser cobrado à parte e como comparar propostas sem se enganar com o valor menor.

  • O preço segue volume de trabalho, não faturamento
  • Regime tributário é o fator que mais muda o valor
  • Quantidade de notas e tamanho da folha pesam diretamente
  • Serviços pontuais costumam ser cobrados à parte
  • Proposta sem escopo escrito é o principal sinal de alerta
  • Preço muito abaixo do mercado costuma cobrar depois
  • Comparar propostas exige comparar escopo, não só valor

O que forma o honorário

A conta que um escritório sério faz é de horas. Quantas horas por mês aquela empresa vai consumir entre escrituração, apuração, folha, obrigações, atendimento e análise.

Por isso duas empresas com faturamento igual podem ter honorários bem diferentes. Uma prestadora de serviço que emite cinco notas por mês e tem dois funcionários dá muito menos trabalho que um comércio com cem notas, controle de estoque e dez funcionários, mesmo que os dois faturem o mesmo.

  • Regime tributário: Simples, Presumido ou Real, em ordem crescente de trabalho
  • Volume de notas emitidas e recebidas por mês
  • Número de funcionários e complexidade da folha
  • Quantidade de obrigações acessórias exigidas da atividade
  • Necessidade de controle de estoque e apuração de custo
  • Existência de inscrição estadual e apuração de ICMS
  • Profundidade da análise contratada, de obrigação em dia a controladoria

Por que o regime pesa tanto, perfil por perfil

É o fator isolado que mais mexe no valor, e a razão é simples: cada regime exige um conjunto diferente de trabalho.

No Simples Nacional a apuração é unificada e as obrigações são menores. No Lucro Presumido entram apurações separadas de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, com obrigações adicionais. No Lucro Real soma-se escrituração contábil completa com fins fiscais, apuração de crédito e um controle bem mais rigoroso.

Não é o escritório cobrando mais por capricho. É volume de trabalho diferente.

Perfis de empresa, o que mais consome tempo na contabilidade e a faixa de complexidade
PerfilO que mais consome tempoFaixa de complexidade
Prestador no Simples, sem funcionárioApuração mensal e obrigação básicaBaixa
Comércio no Simples, com funcionáriosNotas, estoque e folhaMédia
Serviço no Lucro PresumidoApurações separadas e retençõesMédia a alta
Distribuidora no Lucro RealCrédito, estoque e escrituração completaAlta
Empresa com filial e vários regimesConsolidação e controles paralelosAlta

O que costuma ser cobrado à parte

Aqui mora a maior parte das surpresas. Serviços que não fazem parte da rotina mensal normalmente têm cobrança própria, e isso é legítimo, desde que esteja combinado antes.

O problema não é a cobrança extra. É descobrir a cobrança extra depois de o serviço ter sido feito.

  • Abertura, alteração e baixa de empresa
  • Parcelamento de débitos e negociação com o fisco
  • Certidões específicas e atendimento a fiscalização
  • Planejamento tributário e estudo de mudança de regime
  • Levantamento de crédito e revisão tributária de períodos anteriores
  • Laudo, perícia e relatório para financiamento
  • Regularização de anos anteriores e retificações em série
  • Décimo terceiro e rescisões, em alguns contratos

O preço baixo que sai caro

Existe ganho real de eficiência que permite preço competitivo. Mas quando a proposta está muito abaixo do mercado, vale entender de onde vem a diferença, porque ela vem de algum lugar.

Normalmente vem de três lugares: menos horas de análise, atendimento sem responsável definido ou escopo reduzido ao mínimo da obrigação, sem nenhuma leitura de resultado.

O custo aparece depois. Imposto pago a mais por regime não revisado, multa por prazo perdido, decisão tomada sem informação e, no pior caso, passivo descoberto anos depois. É comum a economia de honorário de um ano ser consumida por um único erro.

Como identificar antes de contratar

Não é preciso ser especialista. Algumas perguntas simples revelam bastante.

  • Peça o escopo por escrito, com o que está incluído e o que é extra
  • Pergunte quem é o profissional responsável pela sua empresa, pelo nome
  • Pergunte o prazo de resposta a uma dúvida, em dias
  • Pergunte o que você recebe todo mês, além das guias
  • Pergunte com que frequência alguém senta com você para explicar os números
  • Pergunte o que acontece com o valor se a empresa crescer

Comparar propostas sem se enganar

Colocar dois valores lado a lado não é comparação. Comparação é colocar dois escopos lado a lado e ver o que cada um entrega pelo valor pedido.

Uma proposta que inclui apuração, obrigações, folha, atendimento com prazo e reunião de resultado não é comparável com outra que entrega apenas as guias no vencimento, ainda que a segunda custe metade.

Vale montar uma tabela simples com as linhas do que importa para a sua empresa e preencher com o que cada proposta diz. O que não estiver escrito, considere como não incluído.

O que deve estar na proposta

Uma proposta completa não precisa ser longa. Precisa ser específica.

  • Serviços incluídos na mensalidade, item a item
  • Serviços cobrados à parte, com o critério de cobrança
  • Prazo de entrega de cada obrigação e de resposta a dúvidas
  • O que a empresa precisa enviar e em que prazo
  • Profissional responsável e canal de atendimento
  • Condições de reajuste e o que muda o valor

Quando vale pagar mais

Nem toda empresa precisa do mesmo nível de serviço, e pagar por profundidade que você não vai usar também é desperdício.

Vale pagar mais quando a empresa tem decisão relevante para tomar, quando o regime tributário está em dúvida, quando existe crescimento acelerado, quando há sócios com interesses a alinhar ou quando o setor tem complexidade fiscal alta, como comércio com substituição tributária e saúde.

Não vale pagar mais por relatório bonito que ninguém lê, por sistema com muitos gráficos e nenhuma análise, nem por atendimento que promete velocidade e não define prazo.

Como a VGR trabalha o preço

A proposta sai depois de entender a operação, nunca antes. Volume de notas, tamanho da folha, regime, obrigações da atividade e profundidade desejada de análise entram na conta.

O escopo vem por escrito, separando o que está na mensalidade do que é cobrado à parte, com prazo de entrega e responsável definidos. Se a empresa crescer e o volume mudar, a conversa sobre reajuste acontece antes, não na fatura.

A unidade fica na Rua Dr. Michel Scaff, 105, Sala 05, Chácara Cachoeira, em Campo Grande, e a conversa inicial é sem compromisso, inclusive para dizer quando um serviço não é necessário agora.

Honorário e o custo de não ter informação

Existe uma conta que quase nunca é feita na hora de escolher: quanto custa não ter a informação a tempo.

Empresa que não sabe a margem por produto aceita tabela ruim de convênio ou de cliente grande. Empresa que não revisa regime paga a mais todo mês sem perceber. Empresa que descobre o resultado noventa dias depois do trimestre decide olhando pelo retrovisor.

Nenhum desses custos aparece na proposta de honorário, e todos são maiores que a diferença entre duas propostas. É por isso que a comparação por valor isolado engana tanto.

Exemplos que aparecem com frequência

São situações reais que chegam ao escritório já consumadas, quando o custo já foi pago.

  • Empresa no anexo errado do Simples por fator R nunca calculado
  • Crédito de PIS e Cofins deixado de lado por falta de análise
  • Preço formado sobre custo desatualizado há dois anos
  • Distribuição de lucro sem lastro contábil, descoberta em fiscalização
  • Obrigação entregue em atraso repetidamente, com multa acumulada

Contrato: o que evita atrito depois

Boa parte do desgaste entre empresa e escritório nasce de expectativa não combinada, não de má prestação de serviço. Um contrato específico resolve quase tudo isso antes de acontecer.

Não precisa ser longo. Precisa dizer o que está incluído, o que é extra, em que prazo cada coisa acontece, o que a empresa precisa enviar e quem responde de cada lado.

Vale também definir como se encerra a relação: prazo de aviso, entrega de arquivos e procurações, e o que acontece com serviço em andamento. Combinar a saída no começo é o melhor sinal de que os dois lados estão agindo de boa-fé. Ao fechar com um escritório contábil em Campo Grande, deixe por escrito como serão entregues os arquivos e as procurações na saída.

Perguntas frequentes

Quanto custa uma contabilidade por mês?

Depende do volume de trabalho, não do faturamento. Regime tributário, quantidade de notas, tamanho da folha e obrigações da atividade são os fatores que mais pesam. Duas empresas com o mesmo faturamento podem ter valores bem diferentes.

Por que o Lucro Real custa mais?

Porque exige escrituração contábil completa com fins fiscais, apuração de crédito e controles bem mais rigorosos. É volume de trabalho maior, não margem maior do escritório.

O que costuma ser cobrado à parte?

Abertura, alteração e baixa de empresa, parcelamento, atendimento a fiscalização, planejamento tributário, revisão de períodos anteriores e regularização de atraso. É legítimo, desde que esteja combinado antes.

Vale a pena escolher pelo menor preço?

Só se o escopo for equivalente. Valor muito abaixo do mercado costuma significar menos análise, atendimento sem responsável ou serviço reduzido ao mínimo. O custo aparece depois, em imposto a mais ou prazo perdido.

Como comparo duas propostas?

Colocando os escopos lado a lado, não os valores. Monte uma tabela com o que importa para a sua empresa e preencha com o que cada proposta diz. O que não estiver escrito, considere como não incluído.

O valor muda se minha empresa crescer?

Costuma mudar, porque o volume de trabalho cresce junto. O importante é que o critério de reajuste esteja definido no contrato, para a conversa acontecer antes e não na fatura.

Preciso pagar por controladoria?

Só se você for usar. Controladoria vale quando existe decisão relevante a tomar, crescimento acelerado ou necessidade de enxergar margem por linha. Pagar por relatório que ninguém lê é desperdício.

Posso negociar o honorário?

Pode, e o melhor caminho é negociar escopo, não só valor. Ajustar o que está incluído para o que a empresa realmente precisa costuma dar um resultado melhor para os dois lados que apenas pedir desconto.

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Fontes oficiais

Conselho Federal de Contabilidade, Receita Federal, Portal do Simples Nacional

Material informativo, não substitui a análise do seu caso. Atualizado em . Revisão técnica de Vagner Aparecido Florentino.

Quer uma proposta com escopo por escrito?

A VGR entende a operação primeiro e depois apresenta o valor, separando o que é mensal do que é pontual.

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